Santa Lúcia de Siracusa
07.12.2011Uma Comunidade de Fé, Vida e Coragem
Gostei tanto da experiência da semana passada, quando falei a respeito daquilo que vivi desde o primeiro contato na Vila Esperança. Por isso decidi abrir o coração para falar um pouco sobre as minhas primeiras impressões da Comunidade Santa Lúcia. Vamos ver o que vai dar…
Depois de ter passado quatro anos como Vigário da Paróquia Santíssima Trindade, no bairro Gutierrez, fui conversar com Dom Serafim para tratar a respeito da minha transferência para alguma paróquia, onde eu deveria assumir como Pároco. Conversei com o Bispo e ele me disse: “Você gostaria de fazer uma experiência em uma favela? Acredito que você tem perfil para assumir esta missão, no meio dos empobrecidos. Você pensa um pouco, vai conhecer o povo do Aglomerado Santa Lúcia e, depois, conversamos para ver se é isso mesmo, ou se procuramos outra paróquia onde você possa exercer seu Ministério”. Fiz exatamente o que Dom Serafim tinha sugerido… Cheguei na berada da lagoa, perto da barraca de água de côco, olhei para o Aglomerado e, pode acreditar, foi paixão à primeira vista. Sabe aquele telefone público que fica perto do 22o Batalhão? Pois é… Liguei dali mesmo e falei com o Bispo que eu aceitava a nova missão. Claro que ele ficou assustado e me falou que eu deveria conhecer melhor o Aglomerado. Mas eu já tinha decidido, a Paróquia Nossa Senhora do Morro seria a nova comunidade onde eu iria realizar meu sacerdócio.
Cheguei no dia 2 de fevereiro de 2000 e, lembro-me como se fosse hoje, cheguei cheio de dúvida, com medo, preocupado, muita esperança e indignação. Logo no primeiro dia conheci a Maria Francisca, que se tornou minha maior amiga. No início, quando cheguei, a Paróquia ainda não tinha organizado a Pastoral do Dízimo e, por isso, cheguei a passar situaçoes dificeis na Casa Paroquial. Nunca falei com ninguém a este respeito… A Francisca, com muita delicadesa e cuidado para não me humilhar, trazia da casa dela o que faltava pra completar a minha dispesa. Acho que ela não falou nem com o João, marido dela, que estava tirando comida de casa, pra ajudar a sustentar o novo Padre, que tinha acabado de chegar.
Na Comunidade Santa Lúcia conheci tanta gente. Meu Deus do céu, que comunidade maravilhosa! Mesmo com algumas dificuldades, a turma da Barragem é muito boa. Quando decidimos derrubar a antiga capela tive medo de não conseguir levantar tudo de novo. Lembro que a Dona Alda foi a primeira pessoa que manifestou apoio ao nosso projeto. Sei que muitas pessoas acreditaram que seriamos capazes de construir a nova capela, mas a Dona Alda foi a primeira a dizer que acreditava naquilo que eu estava fazendo. Ela disse: “Padre Mauro, eu tenho certeza que, com a Graça de Deus, vamos conseguir levantar a nossa Igreja de novo”. As palavras da Dona Alda foram proféticas, a nova Capela Santa Lúcia é apenas um sinal de tudo aquilo que vivemos naquela comunidade cheia de Fé e Vida.
Padre Mauro Luiz da Silva






